Botânica Lisboa, o novo bar no Bairro Alto: Zalo Perez Herrera

O Botânica – Not Everyone´s Club, na Rua do Norte, nº 111, está aberto de 4ª feira a Domingo, das 20h às 2h durante a semana, e das 20h às 3h na 6ª e Sábado.

O bar Botânica Lisboa, situado no segundo edifício do Hub Criativo do Bairro Alto, foi inaugurado em Agosto de 2025. No lugar do antigo bar Cargo 111, Zalo fundou a Botânica com um conceito focado na experiência nocturna e no prazer de dançar e conviver.

Zalo Herrera é formado em Gestão, mais tarde na área da Economia, trabalhou na Banca, em Direcções de Operações por todo o mundo, África do Sul, Noruega e França. O Zalo para além do bar tem outra empresa que constitui e forma equipes de vendas para clientes no EUA e em França.

Como surgiu a ideia do bar Botânica?

O Botânica é a concretização de um sonho antigo, que, sincronisticamente, tomou forma. Aos 16 anos trabalhei em bares, enquanto estava a estudar. Depois tirei o curso e comecei a trabalhar. Até que há poucos anos, quando estava a trabalhar em França, mudaram o escritório de Paris para Lisboa e é aí que venho viver em Lisboa. O escritório estava situado aqui no edifício da Rua do Norte, no 2º andar, onde conheci o antigo dono do bar Cargo 111 e, em conversa, surgiu espontaneamente a oportunidade de passar a ser eu a explorar o espaço. Fiz uma proposta e aceitaram. O projecto está a correr bem.

Que tipo de experiência nocturna oferece o bar Botânica?

Sempre quis ter um negócio de bar ou disco bar em que as pessoas tivessem uma boa experiência, em que a vivência do cliente fosse o mais importante. Há negócios que valorizam a qualidade das bebidas ou um lugar bonito, mas, para mim, tudo faz parte da experiência, que é a soma de vários aspectos, não só a qualidade dos drinks, como o atendimento dos empregados, a comunicação na internet, as boas-vindas à chegada, a forma como nos despedimos. Quero que, no fim, o cliente possa dizer: “Fui ao Botânica, tomei um drink muito bom, atenderam-me muito bem, dancei, gostei, eu quero voltar!”. Não se trata do cliente ir por ir. É trabalhar para aqui chegar que me dá prazer.

A forma como recebemos e tratamos as pessoas é de facto fundamental. Uma parte essencial do meu trabalho no Botânica é cuidar muito bem da equipa, porque é a equipa que torna possível uma verdadeira boa experiência do cliente. Quando alguém entra num bar, seja turista ou local, vem normalmente porque quer relaxar, descontrair, conhecer pessoas, divertir-se e sentir-se bem. E isso não acontece só por causa de uma boa bebida. Acontece, especialmente, por causa da equipa. As pessoas fazem diferença na experiência. Um atendimento simpático, próximo, sorridente e descontraído pode mudar completamente a energia de um cliente e, no final, a energia de todo o bar. Digo sempre à equipa que, mesmo que um cliente entre sério, com cara de zangado ou como se não quisesse falar, sorri para ele, trata-o com carinho, explica as coisas e faz um pequeno esforço. Porque talvez essa pessoa esteja assim porque ninguém lhe sorriu durante todo o dia. E, quando fazes isso, muitas vezes muda-lhe o chip. Alguém que parecia sério começa a relaxar, a brincar, a dançar, a aproveitar o momento. E, quando as pessoas aproveitam realmente, o ambiente transforma-se: fica mais positivo, mais feliz e com uma energia muito melhor.

Da ideia à concretização, foi acontecendo naturalmente!

Sim. Sorte, casualidade, destino, não sei.

Costumo seguir os eventos do Botânica no Instagram.

O Botânica Lisboa tem o slogan Not Everyone´s Club e este juntamente com o empenho na escolha e preparação dos coktails e da música e na criação de atmosfera e ambiente, define aquilo que acredito ser essencial para uma boa experiência nocturna. O bar está fora das ruas principais, num lugar do Bairro Alto mais resguardado, o que permite uma experiência de maior qualidade, com menos alvoroço. As bebidas, os tempos de espera em balcão, a selecção da música são aspectos que diferenciam o Botânica da maioria dos espaços circundantes.

Temos vários públicos e fazemos uma segmentação bem cuidada. Estudantes Erasmus, milenais, amantes de música latina, amantes da dança, são todos públicos que habitam o Botânica em dias e horários diferentes. Cada dia tem uma atmosfera própria e jogos e dinâmicas como karaoke, Beer Pong, DJ´s especiais.

Actualmente, estamos abertos de 4ª feira a Domingo, mas queremos abrir todos os dias agora no verão. Das 20h às 2h da madrugada durante a semana, e 6ª feira e Sábado até às 3h.

Servem comida ou é só bebida?

Também servimos hambúrgueres e batatas fritas com receitas da casa – os Botânica Junk Burgers. Temos vários menus: Classic, Cheese, Spicy, Falafel, entre outros.

Qual é o formato: festas, porta aberta, DJs especiais, eventos temáticos?

Temos vários formatos, porta aberta na 5ª feira e no Domingo, e eventos às 4ª feiras, 6ª feiras e Sábados.

O All in Latino, às 6ª feiras, entre as 20h e as 3h, com temas inspirados em cartas e outras dinâmicas internas especiais. Num primeiro momento, das 23h às 1h30, temos as Latin Vibes com reggaeton e brazilian funk a dar o mote. É uma música mais comercial para dançar. Depois, das 1h30 às 3h, o House Mood, em que passamos remixes e música electrónica, o Latin House & Afro House, para fechar bem a noite. No All in Latino ainda temos o Warm Up que começa às 20h, com karaoke e aulas de danças latinas. Temos professores de merengue, bachata e salsa. É uma oportunidade dos clientes conhecerem novas pessoas e interagirem antes da festa, cantando ao som de karaoke latino e dançando salsa, bachata e reggaeton antes da noite começar.

Aos Sábados, às vezes, temos eventos com parceiros que gostam da casa e querem vir cá tocar, e o nosso próprio evento Afro Blackjack, das 22h às 3h, com afrobeats, amapiano e afro house.

Se eu quiser fazer uma festa, posso?

Poderia, dependendo das condições.

Voltando ao programa.

O Erasmus Shots, às 4ª feiras, é uma noite para universitários, um público mais novo, entre 20h e as 2h com o torneio de Beer Pong ou o Hidden Reaction.

A comunicação. Começou do zero, mas já tem muita força e uma imagem cuidada. A divulgação é só no Instagram?

Por enquanto é só no Instagram, mas isso já exige uma pessoa full-time a trabalhar comigo. Passo com ele uma hora todos os dias e há ainda outra parte que faço eu. Fazer os vídeos, definir como falar, como comunicar, como chegar às pessoas, como promover um evento. Passamos muito tempo com isto.

O Instagram é uma ferramenta que funciona.

É muito bom. Já estamos com 2.500 seguidores no Botânica Lisboa.

Pareceu-me que, para além do Botânica Lisboa, está a preparar outros Botânicas, porque o nome diz Lisboa. Parto do princípio de que existem ou existirão outras?

Não sabíamos se o nome já estava no Instagram, então, para nos diferenciar e ninguém ficar com o Lisboa, decidimos por este nome. E assim as pessoas sabem que é em Lisboa.

Mas a nossa estratégia de comunicação passa por ter outras contas no Instagram além do Botânica Lisboa, uma para cada evento, porque o público muda um pouco. Por exemplo, o evento All in Latino tem o Instagram do All in Latino, e o do Erasmus tem o Instagram do Erasmus Shots. A Botânica é a matriz em que tudo se encaixa e depois cada evento é mais específico. Porque o público das 4ª feiras é mais novo, tem mais loucura, pessoas a dançar em cima do balcão; é um público de 20 até 25 anos. Depois, o do Botânica é um público de 30 anos. No All in Latino é de 30 e tal. E agora estamos com o Warm Up que é para um público de 40 para cima, e estamos a estudar como criar um canal para este público e como comunicar com ele.

O Bairro Alto é um sítio da noite muito afamado. Quando eu tinha 18 anos, toda a gente vinha para aqui. Num estilo muito diferente, porque nessa altura não havia muito turismo. Tinha público local. Agora, o Bairro Alto mudou um bocadinho. Dantes era um bairro residencial, as pessoas viviam aqui e depois havia os bares da noite. Sempre se ouviu dizer que os residentes não conseguiam dormir. Agora, pelo que percebo, as casas são mais utilizadas pelos turistas, a grande maioria no formato de Airbnb. Há muita noite, mas até se alterou o horário de fecho por causa do barulho e da confusão demasiada.

Antes os bares podiam fechar às 6h. Agora, podem fechar às 3h ao fim-de-semana e às 2h durante a semana.

Como é que o Botânica se insere no Bairro Alto?

Uma coisa boa do Botânica é que não estamos nas ruas principais. O Bairro Alto tem coisas boas e coisas não tão boas. Tem restaurantes muito bons, tem ambiente e pessoas sempre a querer vir, e tem também um ambiente de loucura um bocadinho extrema. Tem lugares que vendem bebida muito barata com uma qualidade não muito boa. E há um público que vem só para beber. Nós somos totalmente o contrário. Somos um bar no Bairro Alto, mas o nosso público vem para o que há no Botânica, não porque vem ao Bairro Alto. O nosso público não é o público-alvo do Bairro Alto que vem para a loucura, ficar doido e beber bebida barata.

O facto de estarem aqui, mais no fim do Bairro Alto, ajuda?

Ajuda. Aqui estamos próximos de um público residual que vem ao Bairro Alto e não gosta da loucura, que é o que nós queremos. E também tem uma oferta de restaurantes, de transportes, e essa é a parte muito boa.

Fundou o bar sozinho e gere a Botânica com dois colaboradores; parabéns!

Sim.

Qual é a sua nacionalidade?

Espanhol.

Voltando à comunicação do público de Erasmus. Para chegar aos estudantes de Erasmus só utiliza o Instagram, não vai às universidades, não faz este tipo de divulgação?

Comunicamos no Instagram e também participamos em grupos de WhatsApp. Existem grupos de Erasmus e de pessoas que estão aqui em viagem, e nós participamos no grupo, dando a conhecer o Botânica. Funciona muito bem.

Põem lá mensagens?

Sim. E nas 4ª feiras tenho estudantes em Erasmus que trabalham aqui como extras. Chamam pessoas e estão dentro da comunidade deles.

Vive na outra margem?

Sim, porque a minha empresa é toda online. Trabalho online, perto da Caparica, mas agora, com o bar, tenho de vir para Lisboa!

A gestão e compras aos fornecedores são tratadas pelo Zalo? Como é que a experiência profissional anterior o ajudou a montar o bar?

Sim, tudo. O primeiro trabalho que fiz no bar foi organizar a parte operacional. Como fui director de operações em muitas empresas, a parte operativa é a minha parte mais forte. Mas, quando cheguei aqui, não sabia nada de bares; fui aprendendo com as pessoas que trabalhavam aqui e, ao mesmo tempo, utilizei o conhecimento que trago das empresas multinacionais para optimizar os processos. Nos primeiros dois meses estive a trabalhar estes processos: como vender, que produtos, que preços, como distribuir, como organizar o bar. Este lado é muito importante, tanto que já conseguimos duplicar a capacidade de produção do Cargo 111. A faturação tem vindo a aumentar porque conseguimos vender muito mais rápido. É a parte muito importante de um bar.

Mais rápido em que sentido?

Este bar é grande e cabem muitas pessoas. Se eu demoro 5 minutos para vender 10 bebidas, vendo menos do que se demoro 2 minutos.

Então, o barman no balcão tem de ser muito eficiente?

Não é só a pessoa; é a logística de como está estruturado o bar e como são preparadas as bebidas. Tem de ser um processo suficientemente rápido, mas que mantenha a qualidade da bebida. Primeiro, o que fizemos foi organizar o bar e pensar onde colocar cada coisa. Melhorámos o equipamento e passámos a trabalhar com pistolas, que antes não havia. A pistola é muito mais rápida. Monitorizámos o tempo de preparação de cada drink. Por exemplo, fizemos um cocktail, vimos se a qualidade era boa e depois quanto tempo demoramos a fazê-lo. Dependendo do tempo que demorou, validamos ou não validamos esse cocktail. Qualidade e velocidade, e depois colocamos o preço. Por exemplo, no Bairro Alto tem mojito a preços muito baratos, 5 ou 6 euros. Eu gosto muito de mojito de caipirinha, que é um cocktail, então quero um mojito de qualidade. Tem muitos mojitos por aí que se vendem a 6 euros, mas não são bons mojitos. Porque, para fazer um cocktail bom, é preciso tempo; é preciso optimizar o tempo de preparação do mojito e subir o preço para que me compense vender um produto que demora um pouco mais, mas cuja qualidade é suficientemente boa para que o cliente goste.

Então, este é o posicionamento da Botânica: qualidade das bebidas, atendimento rápido e boa experiência de atendimento e pagamento para que o cliente diga: “Tomei um mojito muito bom, paguei 1 euro a mais, mas para mim vale a pena por um mojito de qualidade”. Um euro para o cliente não é tanto, mas para o bar faz a diferença e permite chegar a esse nível. Um mojito é um mojito. Não é sprite com rum.

Quantas pessoas estão a trabalhar aqui à noite?

Agora estamos três. Acho que somos o bar com menos pessoas porque conseguimos ir muito rápido com pouco pessoal.

Mesmo incluindo o DJ?

Não, o DJ seria o quarto.

E a segurança, é obrigatório ter um segurança?

Só se o bar estiver aberto depois das 3 horas.

Estou a pensar no verão, em que esperamos muito mais gente, ter um segurança à porta. Até porque mudaram a lei dos copos e agora, a partir das 11 horas, de 5ª feira a Domingo, e da meia-noite no fim de semana, não podemos vender bebidas para levar. Por isso é preciso uma pessoa que controle. Se um cliente sai com um copo fora da porta, já temos multa. Nós temos uma pessoa na porta que recebe os clientes, explica o funcionamento do bar, recomenda os drinks, mas, se vem um grupo, ele entra e demora um tempo com os clientes, e a porta fica vazia.

Quando abriram?

Abrimos em Agosto, de 2025.

Vão ter os Santos Populares, o que traz muita gente para a rua.

Espero que nos Santos Populares abram a excepção dessa regra, porque os Santos é uma festa muito de rua. A CML disse que iria fazer dias excepcionais, mas ainda não há nada oficial.

Há quanto tempo vive em Portugal?

Mais ou menos 3 anos. Vim com a minha empresa e fiquei aqui um ano, em que ia muito a Paris; ia duas semanas para lá, depois vinha duas semanas para aqui, e desde Janeiro do ano passado estou 100% fixo aqui.

Antes de terminar, gostava de percorrer e seguir todas as páginas do Instagram.

A conta botanica.lisboa que é a página mãe.

A página allinlatino, reggaeton para um público dos 30. Os bilhetes para os eventos podem ser comprados na plataforma Shotgun. Temos um link na página para a compra dos eventos.

A página erasmus.shots do evento da 4ª feira. Nestes dias fazemos desafios na rua, por exemplo, tem de correr até lá acima e quem ganhar tem uma bebida grátis, x push ups e ganha uma bebida, entrevistas de cultura, quem pintou a Mona Lisa, quem fez outra coisa. As pessoas gostam muito.

A página afro.blackjack, o nosso evento de Sábado. Música e beats africanos cheios de energia.

São vocês que dinamizam os jogos?

Somos nós que os fazemos. Cada noite, cada evento, tem a sua especialidade, dependendo do público.

Muito bem. Obrigado, Zalo por nos apresentar o bar. O dinamismo e a qualidade saltam à vista, e deixo aqui todos os contactos para os nossos leitores poderem ir tomar uma bebida ao Botânica.

 

instagram botanica      instagram allinlatino    instagram erasmus shots    instagram afro blackjack

Venda de bilhetes

Web Botânica        Shotgun Erasmus Shots     Shotgun All in Latino     Eventbrite AfroBlackjack

Entrevista conduzida por Marta Sampaio Soares, no dia 1 de Março de 2026.

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